Tenho visto, com enorme insistência, todas as pessoas e mais algumas tecerem comentários acerca da canção dos Deolinda, Que parva que eu sou!, sem pensarem por dois segundos no verdadeiro sentido da canção. Na verdade, os próprio Deolinda aproveitaram-se também desse facto.
Se atentarem bem na letra, a canção não é propriamente o retrato do jovem-que-vive-em-tempo-de-crise-e-já-não-aguenta-mais. Ela é um bocadinho diferente disso. A canção é sobre o jovem que vive em tempo de crise, sim!, mas que nada faz para remediar a situação. A canção é sobre o jovem português acomodado, tal como se percebe rapidamente no segundo verso de cada uma das estrofes.
Não deixa de ser cantiga de revolução. Só não é como a pintam: não é a canção para se entoar nos protestos, mas sim aquela que provoca os jovens para levar a cabo a maior de todas as revoluções: consciêncialização e vontade de lutar.
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