sábado, 4 de junho de 2011

Arcade Fire–Ocean of noise

     Os Arcade Fire são conhecidos pelo festim que dão em palco, pelos inúmeros membros que compõem a banda e pelas canções pejadas de movimento, de dinâmica e de gritos em coro. Não deixa de ser curioso que uma canção deles chamada Ocean Of Noise seja dos momentos mais calmos e melancólicos da discografia dos canadianos. Parte do disco Neon Bible, mais soturno que os outros dois da banda, Ocean Of Noise é um exemplo maravilhoso de como os Arcade Fire são versáteis e reconverteram o seu espírito épico ao serviço das causas mais tristes.

     Ocean of Noise é um deleite para os ouvidos amantes de Arcade Fire.

domingo, 15 de maio de 2011

Bon Iver (II)–For Emma, Forever Ago

     Já aqui tinha deixado um vídeo dos Bon Iver, também neste mesmo dia do concerto num apartamento parisiense. No entanto, quando se está perante uma coisa destas, não há porque ter medo de cansar. Os Bon Iver são responsáveis por algumas das minhas melhores memórias auditivas e eu sou-lhes extremamente grato. O que fazem aqui, a capella, é igualmente indescritível. E mais não digo, que isto não é coisa que se racionalize.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Divine Comedy–A Lady of a Certain Age

     Os Divine Comedy, com Neil Hannon, vêm ao Porto no próximo sábado. Entre as muitas coisas que esta banda já produziu, há uma em particular que me agrada imenso. Chama-se A Lady of a Certain Age e é do disco A victory for the comic muse. Aqui, Neil Hannon estava na sua melhor forma, com uma voz a fazer recordar a de Stuart Staples (Tindersticks) e uma melodia especialmente bonita, acompanhada por uma letra recheada de referências glamourosas (Côte D’Azur à cabeça).

quinta-feira, 21 de abril de 2011

M. Ward – Oh Lonesome Me

     M. Ward é um rapaz engraçado da cena musical de Portland. Tem uma voz melódica e absolutamente distinta, porque é ao mesmo tempo agoniante e doce, numa mistura extraordinária. Mais do que isso, tem a capacidade de criar (ou transformar) canções que nos ultrapassam e nos deixam diferentes. O folk de Ward está muito de longe de ser o mais cliché. Esta Lonesome Me, um queixume sussurrado com Lucinda Williams, tem por volta dos três minutos um momento mágico. É o tema de hoje e, para muitos, o tema de uma vida.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Band Of Horses

     Os americanos Band of Horses tornaram-se rapidamente uma banda de culto à custa de Funeral, uma canção com um distinto ambiente sonoro, a fazer juz ao nome da faixa. Ainda assim, e apesar de um segundo disco mais pobrezinho, os Band of Horses estão longe de ser um one-hit-wonder. A prová-lo está esta maravilhosa St. Augustine. Uma canção com um bela melodia, apenas com uma guitarra dedilhada e um trabalho de vozes fenomenal. O poema está na linha de todos os outros de Everything All the Time, o primeiro disco: uma imagética forte e fúnebre.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Minor Majority

     Os Minor Majority são uns noruegueses tristes, mas de bem com a vida. Em 2006 lançaram um disco relativamente bem sucedido, chamado Reasons to Hang Around, responsável pelo maior sucesso comercial da banda. No entanto, é em If I told you you were beautiful que a rapaziada tem o seu melhor momento. Este Dancing in the backyard é uma demonstração disso mesmo (como o é Smile at everyone, p. ex.). Uma canção lo-fi, em que recorrem a uma voz feminina de suporte e que tem tudo o que eles têm de melhor: candura, tristeza e suavidade. Tudo nas doses certas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Preto no branco

     Depois de olhar para a maioria dos textos aqui no blog, percebi que isto era quase só sobre música, pelo que decidi tornar o espaço assumidamente musical, com tudo o que isso possa significar em termos de aumento, ou diminuição, de interesse. A primeira vez que ouvi Pearl Jam com atenção deu numa paixão assolapada. Esta Black é de uma enorme intensidade e mesmo quem, como eu, nunca prestou grande atenção à banda, devia dedicar uns minutos a esta canção ma-ra-vi-lho-sa. Tenho dito.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dustland fairytale

     Muitas vezes, quando acabo de conhecer determinada canção, entro em exageros típicos de catalogação, ao estilo de “esta sim, é a melhor!”. A questão é que volvidos dois anos, já posso olhar com algum distanciamento para esta canção em particular e afirmar, definitivamente, que é a melhor canção rock (que fique bem explícito o género) que eu conheço. É perfeita, desde a narrativa até à melodia, as mudanças de direcção, a emoção e o final, aquele final…

domingo, 27 de março de 2011

Omissões temporárias

     Por vezes, sinto-me um herege. Não é grave, nem tão pouco desolador, dado o assunto de que se trata: às vezes, esqueço-me de canções que salvaram a minha vida (tomemos aqui o salvaram num sentido lato), só para depois as (re)descobrir com mais força e vontade de as ouvir e tomar como minhas. A propósito de um trabalho académico (sou sociólogo, acho que nunca o tinha referido aqui) em que tinha de pensar sobre manifestações artísticas, lembrei-me da obra dos The Smiths e da carga dramática que carrega – é esse o propósito da arte, expiação das tristezas – e, ao mesmo tempo, lembrei-me de como lhes faltei ao respeito por ter estado uns dois anos sem quase os ouvir.

     Bem, agora, e como sempre, vou colmatar esta minha falha com uns 3 meses de audições ininterruptos. A propósito…

sábado, 26 de março de 2011

…uma coisinha:

     Peço desculpa aos meus leitores (se é que vou tendo alguns) por nem sempre manter isto com uma boa frequência de postagem mas, tal como já disse, nem sempre é fácil encontrar o equilíbrio entre um blog demasiado pessoal ou demasiado generalista. E como não quero que isto seja um diário, uma experiência de júbilo ou melodramatismo como vemos pela blogosfera nem tão pouco uma coluna de opinião, porque a ninguém interessa o que pensa um desconhecido, nem sempre há coisas para aqui deixar.

     Prometo, ainda assim, um bocadinho mais de companhia. E, já agora, dar os parabéns à CC, que parece estar finalmente a encontrar o rumo profissional dela, ao mesmo tempo que vou encontrando o meu.

quinta-feira, 10 de março de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Espiritualidade

     Ainda hoje tenho muita dificuldade em explicar o que sinto, quando ouço isto. Acho que qualquer pessoa, independentemente do que ouça ou do tempo que tem, devia parar 5 minutos e meio da sua vida, para ouvir isto, sem mais nada que perturbe. Uma das experiências mais surreais da minha vida, sem exageros.

terça-feira, 8 de março de 2011

Fotocanção

Vaporize

     A foto é do tempo em que estive a viver na Holanda. O verso é parte da Vaporize, uma brilhante canção do James Mercer (The Shins, Broken Bells). A mensagem está bem explícita: não vivemos para sempre!, toca a acordar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Música clássica

     No outro, em conversa com a Pocket e a CC, lá ia dizendo que não era grande apreciador de música clássica (considero, aliás, que ser eclético musicalmente é não gostar de coisa alguma), senão de duas ou três coisas. Elas, despretensiosas, também afirmaram que gostavam de outras tantas. Bem, vai que não vai, hoje de tarde lembrei-me da nossa conversa e de deixar ficar aqui, para elas, a minha peça clássica favorita:

 

 

Jesu, joy of man’s desire

domingo, 6 de março de 2011

Alberto Granado

     Alberto Granado morreu hoje. Para quem viu o Diarios de Motocicleta e se apaixonou perdidamente pelo homem ali retratado, como eu, recordará com imenso carinho a memória do boludo.

sábado, 5 de março de 2011

Blitzen Trapper

      Algures entre Death Cab for Cutie e Bright Eyes encontra-se esta Furr, dos Blitzen Trapper, a provar que o folk americano (e de Portland, terra do maravilhoso M. Ward) está todo fortalhuço e cheio de talento.

“bem acordado, que é de manhã”

um dos mais belos discos que já ouvi

sexta-feira, 4 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Bonsai

     No outro dia vi que os bonsais eram árvores em miniatura. Eu, tão ligado a estas coisas como a um livro da Margarida Rebelo Pinto, fiquei boqueaberto, porque achei que era uma planta como as outras. Vai que não vai, um certo bucolismo entra em cena e decido pesquisar umas coisinhas. Vi que eram árvores em miniatura, sim, e que ainda por cima podem durar mais de 60 anos. Armado em tipo da cidade que quer um bocadinho do campo, lá irei eu escolher um, amanhã.

Este é para a CC…

     …que disse que vinha cá todos os dias para ver se havia coisas novas!

     Bem, há coisas novas todos os dias; a questão é sempre o que partilhar no blog?, porque se há duas coisas que um blog não deve ser é um diário pessoal por um lado e um chorrilho de coisas demasiado sérias (académicas?) por outro. E é nesse vaivém que se perdem muitas coisas que até podiam ser partilhadas.

     Como um blog não deixa de ser também um registo histórico, que sabe bem recordar passado uns anos, não é de todo despiciente dizer aqui que comecei esta semana a preparar a minha tese de Mestrado, na qual estou ansioso para começar seriamente em Junho. E entretanto, espero escrever mais frequentemente aqui no cantinho…

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Médio Oriente

     Ultimamente sinto-me fascinado pelo Médio Oriente. Isto começou há cerca de um ano, a ver umas reportagens na CNN sobre as experiências dos jornalistas americanos na Guerra do Golfo e continua agora que vou lendo, aos poucos, o Forever War do Dexter Filkins, um livro com peças jornalísticas sobre os relatos das diferentes guerras que o norte-americano cobriu. Em qualquer dos casos, há sempre um enorme encanto no seu discurso, quando referem o Afeganistão, o Irão e o Iraque.

A leste do paraíso

     Tenho visto, com enorme insistência, todas as pessoas e mais algumas tecerem comentários acerca da canção dos Deolinda, Que parva que eu sou!, sem pensarem por dois segundos no verdadeiro sentido da canção. Na verdade, os próprio Deolinda aproveitaram-se também desse facto.

     Se atentarem bem na letra, a canção não é propriamente o retrato do jovem-que-vive-em-tempo-de-crise-e-já-não-aguenta-mais. Ela é um bocadinho diferente disso. A canção é sobre o jovem que vive em tempo de crise, sim!, mas que nada faz para remediar a situação. A canção é sobre o jovem português acomodado, tal como se percebe rapidamente no segundo verso de cada uma das estrofes.

     Não deixa de ser cantiga de revolução. Só não é como a pintam: não é a canção para se entoar nos protestos, mas sim aquela que provoca os jovens para levar a cabo a maior de todas as revoluções: consciêncialização e vontade de lutar.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

(des)carrilamento

     Lá fui eu a Lisboa hoje, de comboio, todo contentinho. Vi coisas engraçadas, mas nenhuma me intrigou tanto como um tipo com os seus 25 anos, fatinho de corte italiano, um relógio daqueles de vidro com o mostrador maior que uma chávena de chá e que lia… Nicholas Sparks. Pois bem, aquela dissonância cognitiva tem que ter uma de duas razões: ou o senhor é, na verdade, um engatatão que espera que as meninas amem o facto de ser bem-sucedido na vida e ainda assim ler Nicholas Sparks (indicador geral de gajo sensível, pese embora o mau gosto) ou então falhou uma das lições de como-parece-um-gestor-nova-iorquino-mesmo-estando-na-terrinha e lia aquilo em vez do Diário de Negócios.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

#1

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     Inauguro hoje o estaminé. Blogger de longa data (desde 2001), quando em Portugal não se sonhava ainda com a palavra “blog”, decido agora, num acto inverso ao normal, ocultar a minha identidade e começar de novo. Bem, quem me incitou a isto (inconscientemente) foi a minha amiga Pocket, que conseguiu esconder a sua identidade (de mim) por mais de 2 anos – e assim continuará, anónima, para o resto do mundo.

     Não tenho muito a dizer, para já, para além de me chamar Fonseca, ser contínuo de profissão e trabalhar num hotel e num manicómio. Por vezes, confundo os dois e não sei em qual estou. Em comum, têm o quarto 203, que é aquele de que mais gosto de “limpar”. Benvindos e…

     …de sábio e louco, todos temos um pouco.